Blog

Portão de alumínio enferruja? O que acontece de verdade

Não. Ferrugem é o nome da corrosão do ferro e das ligas dele, e não existe ferro na composição do alumínio. O que o alumínio faz é oxidar, e essa oxidação forma uma camada aderente e impermeável que protege o metal em vez de consumi-lo. O que pode aparecer no seu portão é mancha, desbotamento da tinta, corrosão por pite e corrosão galvânica.

João Luiz Borges Filho, segunda geração da família à frente da Ponto Forte Alumínios

João Luiz Borges Filho

Segunda geração na fábrica da Ponto Forte

Comparação lado a lado entre a superfície corroída de um portão de ferro e a superfície íntegra de um portão de alumínio

Ferrugem é óxido de ferro, e o alumínio não tem ferro

Entender portão de alumínio enferruja começa pela diferença de nome. Ferrugem é a corrosão do ferro e das ligas dele, como o aço. Outros metais também corroem, só que o que sai dali tem outro nome e outro comportamento. No alumínio não existe ferro para virar ferrugem, e a ABAL, Associação Brasileira do Alumínio, lista o alumínio enferruja com o tempo entre os mitos do setor.

Portão de ferro antigo com tinta descascada e manchas alaranjadas de corrosão em rua residencial
A ferrugem solta em placas e expõe metal novo embaixo, o que o alumínio não faz.

O alumínio oxida, e oxida rápido. É essa oxidação que segura chuva, sol e maresia, e é por isso que o portão de alumínio não corrói como o ferro corrói.

A oxidação do alumínio é o que protege o portão

Assim que a superfície encosta no ar, forma-se uma camada de óxido invisível a olho nu. O que faz essa camada valer alguma coisa não é a espessura, é o comportamento. O manual de projeto da Hydro, uma das maiores produtoras de alumínio do mundo, registra que o óxido de alumínio é impermeável e adere fortemente ao metal principal, ao contrário das camadas de óxido de muitos outros metais, e que ele se repara sozinho quando sofre dano mecânico. A Alumeco cronometra esse reparo em milissegundos, desde que haja oxigênio presente.

A ferrugem faz o inverso em cada item. Ela é escamosa e permeável ao ar e à água, então o ferro que está embaixo continua corroendo. Os hidróxidos de ferro não aderem ao metal, soltam em placa, expõem ferro novo, e o ciclo só para quando acaba o ferro ou acaba o oxigênio. Os óxidos ainda ocupam mais volume que o metal original, e essa expansão tem força para trincar o que estiver preso em volta.

CritérioFerrugem no ferro e no açoÓxido no alumínio
Adere ao metalNão, solta em placasSim, adere fortemente ao metal base
Passa ar e águaSim, é permeávelNão, é impermeável
Como se comportaNão estabiliza, e o processo segue enquanto houver ferro e oxigênioFecha a superfície e para de crescer
Quando é riscadaExpõe metal novo e o ciclo recomeçaSe refaz sozinha em milissegundos, com oxigênio presente
Efeito no volume da peçaOcupa mais volume que o metal e trinca o que está ao redorNenhum que a peça registre

Duas defesas em escalas diferentes

O portão tem a camada invisível de óxido e tem a pintura, e cada uma cuida de uma coisa. O óxido cuida do metal. A tinta cuida da cor, do brilho e do acabamento, e tem de 60 a 110 micras, faixa que o Guia de Esquadrias para Edificações (CBIC/AFEAL) registra a partir da ABNT NBR 14125. É uma camada milhares de vezes mais espessa que o óxido natural, e é ela que a esponja errada encontra pela frente.

Na fábrica, essa segunda camada nasce de pintura a pó em seis etapas, com tinta de selo internacional QualiCoat, seguindo a ABNT NBR 12610. O processo tem página própria em o que é pintura eletrostática, com o pré-tratamento, a espessura e a cura em estufa explicados passo a passo.

O que de fato pode acontecer com um portão de alumínio

Quatro coisas, e nenhuma delas é ferrugem. Três são principalmente estéticas e uma depende de contato com outro metal. Vale saber o nome do que apareceu.

Detalhe aproximado de pequenas cavidades na chapa pintada, típicas de corrosão por pite
O pite é local e superficial, e costuma aparecer onde a sujeira segura umidade.

Ponto isolado na superfície, é corrosão por pite

Na corrosão por pites, a remoção eletrolítica do metal ocorre em pequenos pontos da superfície, originando cavidades, com a profundidade geralmente igual ou superior ao diâmetro, e praticamente sem desgaste fora dessas áreas. A definição é de Carlos Paseiro de Ciria, na Revista Tratamento de Superfície, da ABTS.

O gatilho é eletrólito, ou seja, umidade com sal. Sujeira acumulada também entra na conta, porque prende água na superfície e cria o ambiente do pite. A Alumeco registra o pite como menos grave que a corrosão galvânica, um problema local, principalmente estético, superficial e que não afeta a resistência do material. Superfície limpa e seca, um enxágue com água uma ou duas vezes por ano e a pintura já dão boa proteção.

Corrosão bem no ponto onde encosta outro metal, é corrosão galvânica

Essa é a mais séria das quatro e a única que depende de como o portão foi montado. Ela exige três coisas ao mesmo tempo, o alumínio, um metal mais nobre como cobre, zinco ou certos aços, e um eletrólito ligando os dois. Sem eletrólito não há reação, e a Alumeco é direta ao dizer que em ambiente interno seco ou externo não marinho combinar alumínio com metal mais nobre geralmente não é problema.

Na prática de um portão, o que resolve é isolar eletricamente os metais diferentes na fixação e na ferragem. Vale também a contaminação por ferramenta, porque disco e broca que acabaram de cortar aço deixam partícula na superfície do alumínio, e essa partícula basta para abrir a reação.

Filete fino por baixo da tinta, é corrosão filiforme

Único dos quatro que só existe em peça pintada, que é o caso do portão. O ataque avança em forma de filamentos, começa em falhas ou poros do revestimento e caminha por baixo da tinta, principalmente em camada de baixa espessura. Precisa de umidade relativa alta somada a substância higroscópica retida nos poros, como poeira ou resíduo salino. A mesma publicação da ABTS registra que esse tipo de corrosão não compromete as propriedades mecânicas do metal, e sim a aparência externa.

Cor mais fraca depois de anos de sol, é a tinta

Aqui não há corrosão nenhuma, é o acabamento envelhecendo na exposição. Cor que perdeu força por igual, na peça inteira, costuma apontar para o tempo de sol. Mancha localizada, em um trecho só, costuma apontar para produto ou esponja errada, assunto desenvolvido em como limpar portão de alumínio.

O que destrói a camada de óxido costuma vir da obra

A camada é estável na faixa de pH de 4 a 9, segundo a Hydro. Fora dela, em ácido forte ou em meio bastante alcalino, a proteção natural deixa de existir e o metal passa a ser atacado com rapidez, e a Alumeco acrescenta que as bases atacam mais rápido que os ácidos.

Isso tem dois endereços no mundo real. O primeiro é o concreto fresco, que fica entre pH 12,5 e 13,5 e que a Alumeco aponta como fator de risco típico, o que descreve bem o respingo de argamassa no portão recém-instalado, com a obra ainda rolando em volta. O segundo é o frasco de limpeza pesada. O alumínio se defende sozinho dentro de uma faixa larga, e quem tira essa defesa dele quase sempre é alguém com um produto na mão.

Como olhar o seu portão em quatro passos

  1. Lave o pontoÁgua morna e pano macio. Sujeira e resíduo saem, corrosão não sai.
  2. Olhe os encontros com outro metalParafuso, dobradiça, grade encostada ou peça de aço vizinha. É onde a galvânica aparece.
  3. Examine a face que pega vento de marProcurando ponto isolado, uma cavidade pequena do tamanho de uma cabeça de alfinete.
  4. Olhe contra a luzProcurando filete fino sob a pintura, e confira se há respingo de cimento ou marca de produto naquele trecho.

Na maresia, o mesmo ar é C5 para o aço e C3 para o alumínio

Um mesmo ambiente recebe categoria de corrosividade diferente para cada metal. A Alumeco registra que o ambiente marinho costuma ser C5, categoria muito alta, para o aço, e apenas C3, média, para o alumínio. A escala de C1 a CX vem da EN ISO 9223, que no Brasil corresponde à ABNT NBR ISO 9223 e à ABNT NBR 14643.

Casa de rua litorânea com portão claro de alumínio fechado e o mar visível ao fundo pela manhã
Ilustração. Sete das treze cidades onde a equipe instala ficam de frente para o mar.

Há medição brasileira de campo na mesma direção. Uma dissertação da UFPR, de Guilherme Portella, expôs alumínio, cobre, aço carbono e aço galvanizado ao intemperismo natural por cerca de um ano. Na estação de Costa do Sauípe, na Bahia, classificada como atmosfera marinha C4, alta, o material mais adequado foi o alumínio, seguido do aço galvanizado.

Sete das treze cidades onde a nossa equipe instala ficam de frente para o mar, entre elas São Francisco do Sul, Itapoá, Barra Velha, Piçarras, Navegantes, Itajaí e Balneário Camboriú. Projetar pensando em sal é o padrão da casa, e por isso os modelos de portão sob medida saem com o conjunto inteiro em alumínio, da chapa à caixaria. A mesma leitura vale para as cercas de alumínio, que ficam expostas ao vento de mar o dia inteiro, sem nenhuma parte abrigada.

O que muda entre ferro e alumínio depois de instalado

A resposta para portão de alumínio enferruja está na comparação entre os dois óxidos. No ferro, a camada solta, expõe metal novo e a corrosão segue por baixo enquanto houver ferro e oxigênio. No alumínio, a camada fecha o metal e se refaz sozinha quando é arranhada.

Tem também a diferença de massa. A ABAL registra o peso específico do alumínio em 2,70 g/cm³, cerca de 35% do peso do aço. No portão basculante de alumínio, a caixaria tem 3 mm, o dobro de muitas caixarias convencionais de ferro, que têm 1,5 mm, e os pontos de fixação são rebites de alta resistência, certificados para até 94 kgf de tração cada um. Mesmo com o dobro da espessura o alumínio pesa menos que o ferro que ele substitui, e menos massa pendurada na estrutura significa menos esforço para o motor a cada abertura.

Quem fabrica em Joinville desde 1997

A Ponto Forte tem fábrica própria em Joinville desde 1997, equipe própria de instalação, mais de 3.500 projetos entregues e nota 5,0 no Google com mais de 200 avaliações. O perfil é cortado, montado e pintado dentro da mesma fábrica, em pintura a pó com tinta de selo internacional QualiCoat, seguindo a ABNT NBR 12610.

Montador de uniforme e óculos de proteção posicionando um perfil de alumínio na bancada de uma fábrica de esquadrias
Ilustração. O perfil é cortado, montado e pintado dentro da mesma fábrica.

Quem está escolhendo portão de alumínio começa pela medida do vão e pelo endereço da obra, porque o litoral pede decisão diferente da que serve para o miolo da cidade. Responder portão de alumínio enferruja exige olhar para o que aparece depois de instalado, não só para o material do portão. Quem já tem um portão instalado e viu uma marca nele ganha tempo mandando a foto antes de tentar resolver por conta. A gente responde dizendo o que é.

Perguntas frequentes

Oxida, e não enferruja. Ferrugem é o termo para a corrosão do ferro e das ligas dele, como o aço, e o alumínio não tem ferro na composição. A ABAL, associação brasileira do alumínio, classifica o alumínio enferruja com o tempo como mito na página oficial de mitos e verdades. A oxidação do alumínio é o que protege o metal, porque forma uma camada de óxido aderente e impermeável, ao contrário da ferrugem, que é escamosa e deixa passar ar e água.

Não. Ferrugem é alaranjada, descama em placas e volta a aparecer porque o metal embaixo continua sendo consumido. Mancha branca ou esbranquiçada em portão de alumínio costuma ser depósito de sujeira, resíduo de produto ou oxidação superficial, e boa parte sai com água morna e pano macio. Se você vir ferrugem laranja de verdade num portão de alumínio, ela quase sempre escorreu de outra peça, como um parafuso, uma dobradiça ou uma ferramenta esquecida sobre a lâmina.

Aguenta melhor que o aço, e isso tem classificação técnica. O mesmo ambiente recebe categoria de corrosividade diferente para cada metal, e a Alumeco registra que o ar marinho costuma ser C5, categoria muito alta, para o aço, e C3, média, para o alumínio, na escala da EN ISO 9223, correspondente no Brasil à ABNT NBR ISO 9223 e à ABNT NBR 14643. Há medição brasileira na mesma direção. Uma dissertação da UFPR expôs alumínio, cobre, aço carbono e aço galvanizado ao intemperismo natural por cerca de um ano, e na estação de Costa do Sauípe, na Bahia, classificada como atmosfera marinha C4, o material mais adequado foi o alumínio, seguido do aço galvanizado. O risco real na orla é a corrosão por pite, que é local, superficial e principalmente estética.

Pode, desde que os dois metais estejam isolados eletricamente. A corrosão galvânica precisa de três coisas ao mesmo tempo, o alumínio, um metal mais nobre como cobre, zinco ou certos aços, e um eletrólito, tipicamente água salgada. Sem eletrólito a reação não acontece, e a Alumeco registra que em ambiente interno seco ou externo não marinho a combinação geralmente não é problema. Perto do mar o cuidado com fixação e ferragem passa a valer a pena.

Não. A camada de óxido de alumínio se repara sozinha quando sofre dano mecânico, e a Alumeco descreve a restauração em milissegundos, desde que haja oxigênio presente. O que não se refaz é a tinta. Um risco que chega até o metal é porta de entrada para a corrosão filiforme, aquele filete fino que caminha por baixo do revestimento, então vale olhar o arranhão e tratar o acabamento, não o metal.

Estraga, e é o acidente mais comum de obra. A camada de óxido é estável na faixa de pH de 4 a 9, segundo o manual de projeto da Hydro, e concreto fresco fica entre pH 12,5 e 13,5, bem fora dessa faixa. Nessa condição a proteção natural é destruída e o metal passa a ser atacado com rapidez. Proteger o portão recém-instalado enquanto a obra continua e remover respingo ainda fresco resolve o problema antes de ele existir.

A Ponto Forte fabrica portão de alumínio em Joinville desde 1997, com fábrica e equipe de instalação próprias.